Orchestra – Paula Musique https://paulamusique.com Um som diferente para sua vida Fri, 27 Sep 2019 02:25:30 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=5.7.14 Espetáculo POP Camerata Estreia em Florianópolis Causando Indignação ;) https://paulamusique.com/camerata-de-florianopolis-cic-critica-musical-pop/ https://paulamusique.com/camerata-de-florianopolis-cic-critica-musical-pop/#comments Fri, 22 Feb 2019 02:54:44 +0000 http://paulamusique.com/?p=6839 – por Paula Musique – (Recebemos milhares de visitas todos os meses por aqui -obrigada!- e, pouco a pouco, quero falar mais de artistas-destaque, pois este é um dos objetivos de conscientização do Movimento Música Nobre) O concerto que presenciei hoje me deixou exultante, ao mesmo tempo que exasperada. Indignou-me prestigiar, mais uma vez, um concerto da Camerata Florianópolis e poder contemplar tantos talentos no palco que mereceriam ter uma projeção muito maior do...

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Imagem: Divulgação

– por Paula Musique –

(Recebemos milhares de visitas todos os meses por aqui -obrigada!- e, pouco a pouco, quero falar mais de artistas-destaque, pois este é um dos objetivos de conscientização do Movimento Música Nobre)

O concerto que presenciei hoje me deixou exultante, ao mesmo tempo que exasperada. Indignou-me prestigiar, mais uma vez, um concerto da Camerata Florianópolis e poder contemplar tantos talentos no palco que mereceriam ter uma projeção muito maior do que têm. Sei que eles estão bem encaminhados: já tocaram no Rock in Rio para Steve Vai e em outros palcos para Zeca Baleiro e Lenine, por exemplo.

Por um lado, sinto aquele gostinho especial de: “ah, a Camerata é quase que um segredinho dos manezinhos da ilha*, é um grupo que agracia municípios do estado de Santa Catarina e outros países de vez em quando, mas no fundo, é nossa Camerata, é da ilha, e é bom que fique assim, sendo bem nossa”. Mas por outro lado, tenho aquela sensação de que deveria compartilhar deste “segredo” com o mundo todo: eles deveriam estar nos grandes canais de TV e do YouTube, deveriam ter mais seguidores e muito mais visualizações em suas redes sociais. Eles poderiam inspirar mais e mais brasileiros a buscar uma carreira na Música, a aprender um instrumento musical, a querer entender o que significa os gestos da regência e como os arranjos para uma orquestra são feitos.

Entretanto, você vê o quê? Vê um tal de Kon#&?$$% (não falo palavrão) com mais de 23 BILHÕES de visualizações no YouTube e se pergunta: “afinal, qual é o conhecimento e a cultura musical do brasileiro”? E quase sempre você e eu temos vergonha de responder esta pergunta.

Maestro Jefferson Della Rocca
Foto: Toia Oliveira

Quando falo da Camerata Florianópolis, não me refiro apenas aos músicos da orquestra de câmara e ao seu maestro Jefferson Della Rocca, mas sim ao que ela representa com sua variedade de repertório, de artistas convidados e do público que atinge. Tive estes pensamentos mencionados acima enquanto assistia o concerto sobre o qual você lerá abaixo. Mas antes, que tal conhecer um pouco sobre eles? Continue aqui comigo, não vá embora, pois vai valer a pena.

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A CAMERATA FLORIANÓPOLIS
Foi fundada em 1994 pelo maestro Jeferson Della Rocca e atua desde então, cumprindo uma agenda ativa em Santa Catarina. Estamos no Aniversário de Prata da orquestra, pois completa 25 anos. Já gravou doze CDs e dois DVDs, sendo que a produção executiva é de Maria Elita Pereira.

No Canal do YouTube os vídeos mais vistos deles são Rock’n Camerata – Ária Martern Aller Arten da Ópera O Rapto do Serralho de Mozart:

E um cover de Rolling Stones – Satisfaction do espetáculo Rock’n Camerata:


Foi o repertório camerístico que trouxe reconhecimento à orquestra, entretanto a Camerata tem se destacado e se dedicado nos últimos anos também ao trabalho sinfônico e operístico. Como se não bastasse, provando ser uma equipe de muita versatilidade e criatividade, a orquestra passou a apostar em concertos temáticos como:

– Rock’n Camerata
– Camerata in Jazz
– Tributo à MPB
– Ópera-Rock Frankenstein (autoria de Alberto Heller)
– Música para Cinema
– Marley in Camerata
– Especial Beatles

Uma das coisas que mais admiro nesta orquestra é o estímulo à composição erudita contemporânea brasileira, além da criação de arranjos camerísticos que abrangem os mais diversos estilos e gêneros musicais.

Parabenizo a produção da orquestra que entende que a “arte pela arte” (ars gratia artis) não se sustenta no século XXI – na maioria dos casos, e que é, sim, necessário ter um visão empreendedora da arte para que se possa conquistar diferentes públicos.

“Não há nobreza maior do que brilhar com a alegria de se estar no topo e, ao mesmo tempo, sorrir com a humildade de quem lembra de como tudo começou” – Paula Musique

Leitor, sente só a estratégia (não sei se foi intencional ou não por parte da direção da orquestra, mas minha visão analítica percebeu isto anos atrás com a Camerata): há muitas pessoas que dizem não gostar de música erudita, pois não entendem o que está acontecendo e acham isto chato, pois não é música para dançar ou levantar os braços e balançar (risos).  E há pessoas que não gostam de pop ou reggae, pois classificam estes como gêneros inferiores à música erudita. Pois vejam:

– pessoa (A) que é apreciadora de música erudita frequentava diversos concertos da Camerata inicialmente
– pessoa (B) que não gosta de música erudita, mas é fã de rock, MPB ou reggae vai pela primeira vez e começa a frequentar os concertos da Camerata a partir do momento que oferecem espetáculos temáticos
– pessoa (A) da música erudita é tão fã do trabalho da Camerata, que se rende a conhecer seus concertos “alternativos”, começa a enxergar outros gêneros de maneira diferente e passa a ser espectador de todas as “alternativas”
– pessoa (B) avessa à música erudita torna-se fã dos espetáculos de rock, reggae, MPB ou jazz decidindo dar uma leve chance a um concerto clássico da orquestra que ele tanto gosta. E? Beethoven e Mozart, simpaticamente interpretados, caem nas graças dele
RESULTADO: A e B têm o preconceito musical erradicado e, vez ou outra, encontram-se pelos corredores do teatro nos concertos de todos os tipos.

Assim, a orquestra também contribui para a formação de plateia e estímulo à educação musical.

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A “arte pela arte” (ars gratia artis) não se sustenta no século XXI – na maioria dos casos, e é necessário ter um visão empreendedora da arte para que se possa conquistar diferentes públicos – Paula Musique

Foto: Toia Oliveira

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O ESPETÁCULO POP CAMERATA
O Teatro Ademir Rosa do Centro Integrado de Cultura (CIC) lotou e vibrou com uma plateia de quase 900 pessoas. A orquestra estreou ontem um espetáculo intitulado POP Camerata e reapresentou hoje. Os arranjos foram feitos pelo pianista e compositor Alberto Heller e nos vocais estavam Mércia Maruk, Dudu Fileti, Luana Laus e Cadu Duarte. A banda base contou com Hique D’Avila na guitarra, Baba Junior no baixo, Cristiano Forte na bateria e Alberto Heller ao piano. A supersoprano Carla Domingues fez uma participação especial.

O concerto durou 1h40, sem intervalo. A programação contou com 16 canções (mais 2 bis) e dentre elas havia arranjos desde Bee Gees, Michael Jackson e Madonna até Maroon 5, Adele e Beyonce.

Imagem: Programa do POP Camerata

Eu, particularmente, achei o repertório muito equilibrado com hits pops de várias épocas e com características distintas – escolha estratégica para agradar toda a audiência, pois cada um conseguia se identificar mais com pelo menos uma canção. Eu me identifiquei com quase todas, desde as músicas com uma pegada mais romântica até as mais dançantes.

O maestro e a orquestra estavam contagiantes. Afinação em dia e expressividade também. Observadora como sou, tento olhar nos olhos de cada artista para perceber o que estão sentindo. Usei a ajuda de meu celular para dar zoom umas vezes. Impressionante como muitos dos músicos, principalmente os violinistas tocavam com os olhos e com o corpo (“dançando violinisticamente”). Peguei alguns diversas vezes sorrindo, provando o quanto amam o que fazem e como estavam curtindo os belos arranjos de Heller. O maestro Della Rocca sempre muito simpático, conduzindo todos com profissionalismo. A banda base deu o gingado e a batida pop imprescindível ao show. Os solos de guitarra foram muito convincentes!

Foto: Toia Oliveira

E o que dizer dos vocalistas? Bela seleção de cantores convidados, todos com experiência em palco, domínio das harmonias vocais, comunicação visual nota 10 e solos impecavelmente interpretados. Pensando aqui para nomear meu cantor da noite, custei a definir um, mas escolho Mércia Maruk. Uau! Que domínio de palco é aquele? Que segurança! Desde os acessórios brilhantes usados e ritmo dos cabelos até a dança e o controle de voz, nem sei o que dizer. Miss Maruk, você merece o mar e o UK. Got it?

Tanto a equipe de sonorização quanto de iluminação fizeram um ótimo trabalho.
Ah, quando recebi a programação assim que entrei no teatro e vi que não havia Coldplay fiquei meio assim, sabe; mas “para a nossa alegria” a música final de bis foi qual? “Viva La Vida” de Coldplay. Sim. Sou muito #abençoada #sortuda. E ao fim, a plateia toda ficou de pé cantando “Ôoo ôo”.

Foto: Toia Oliveira

Minhas músicas favoritas no POP Camerata:
– Shallow – Lady Gaga
– I Will Survive – Gloria Gaynor
– This Love – Maroon 5
– Uptown Funk – Bruno Mars

Pensei e repensei para identificar algum aspecto negativo, mas não encontrei. Nenhum espetáculo ocorre 100% como planejado em seus detalhes, mas não houve NADA negativo que fosse perceptível ao público. Talvez um intervalo na metade do show teria sido bom para os músicos descansarem.

Sabe aquele tipo de concerto que todos têm de ir pelo menos uma vez na vida? Você se encanta com a qualidade, acomodado num teatro aconchegante, levanta e dança de vez em quando e depois de tudo, a caminho do estacionamento fica cantarolando as favoritas da noite e sorri quando percebe que tem mais gente fazendo isso perto de você.

Orgulho imenso de ser catarinense!

Compartilhe esta crítica com seus amigos para que eles sejam instigados a apreciar Música Nobre.

*apelido carinhoso dos nativos de “Florianopix” (“E tu? Éx manezinhu da ilha, éx?” Dix pra mim, dix ô seu istepô”)

Ficam aqui duas sugestões para a orquestra:
– Camerata Hits de Natal
– Gospel Camerata

Afinal, qual é o conhecimento e a cultura musical do brasileiro? Quase sempre você e eu temos vergonha de responder esta pergunta – Paula Musique

Deixe seu like e comente (o espaço dos comentários fica depois de todas as fotos a seguir):
Você já foi a algum espetáculo da Camerata Florianópolis? Qual sua opinião sobre o trabalho deles?
O que você acha da nossa indústria da música no Brasil?
Você acha que o brasileiro recebe a educação musical necessária para poder escolher conscientemente o que ouvir?

(RECADO/CRÉDITOS: Após ter acesso às dúzias de belíssimos registros da fotógrafa Toia Oliveira, que eu não conhecia, referentes aos dois dias de POP Camerata, tive que editar este post original e acrescentar, abaixo, mais fotos – sensacionais!)

Pianista e Arranjador Alberto Heller

Camerata Florianópolis:
PRIMEIROS VIOLINOS
Iva Giracca (spalla),
Elias Vicente,
Talita Limas,
Bruno Jacomel,
Debora Remor

SEGUNDOS VIOLINOS
Mario Marçal,
Débora Bohn,
Liz Maria Oliveira,
Elias Zanon

VIOLAS
Leonardo Piermartiri,
Mariana Barardi,
Fernanda Buratto,
Fausto Kothe

VIOLONCELOS
Ernesto Medolla,
Daniel Galvão,
Érico Schmidt,
Hugo Reggiardo

CONTRABAIXO
Gabriel Bohn

MAESTRO
Jefferson Della Rocca

PRODUTORA
Maria Elita Pereira

ARRANJADOR
Alberto Heller

PRESIDENTE
Arlete dos Santos

COORDENADOR DE PALCO
Leonardo Boechat

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Sarah Chang no Brasil com a Concertgebouw Chamber Orchestra – em Florianópolis https://paulamusique.com/melhores-violinistas-sarah-chang-concertgebouw-chamber-orchestra-em-florianopolis-brasil/ https://paulamusique.com/melhores-violinistas-sarah-chang-concertgebouw-chamber-orchestra-em-florianopolis-brasil/#comments Fri, 03 Aug 2018 02:58:06 +0000 http://paulamusique.com/?p=6038 Foto: sarahchang.com – por Paula Musique – Sarah Chang no Brasil Hoje, Florianópolis recebeu uma das maiores violinistas da atualidade, Sarah Chang (EUA), juntamente com a Concertgebouw Chamber Orchestra (Holanda) para um concerto no palco do Teatro Ademir Rosa. Sarah Chang nasceu em 1980, na Filadélfia, filha de pai violinista e mãe compositora – ambos coreanos. A pequena Sarah era considerada uma criança prodígio e teve uma notável estreia aos 8 anos, quando tocou...

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Foto: sarahchang.com

– por Paula Musique –

Sarah Chang no Brasil

Hoje, Florianópolis recebeu uma das maiores violinistas da atualidade, Sarah Chang (EUA), juntamente com a Concertgebouw Chamber Orchestra (Holanda) para um concerto no palco do Teatro Ademir Rosa.

Sarah Chang nasceu em 1980, na Filadélfia, filha de pai violinista e mãe compositora – ambos coreanos. A pequena Sarah era considerada uma criança prodígio e teve uma notável estreia aos 8 anos, quando tocou com a New York Philharmonic e desde então continua a impressionar audiências ao redor do mundo por seu virtuosismo e expressividade. Além de ter se apresentado com orquestras estadunidenses, tais como: New York Philharmonic, Los Angeles Philharmonic, Philadelphia Orchestra, Chicago Symphony, National Symphony Orchestra, Boston Symphony e Houston Symphony, ela também já fez turnê na Áustria, França, Alemanha, Itália, Suíça, Reino Unido, China, Japão, Singapura, Australia, Nova Zelândia e vários outros países. Ela voltou ao Brasil para apenas duas apresentações: uma em São Paulo e uma em Florianópolis. Formada pela Julliard School (New York), Srta. Chang toca em um violino Guarnieri del Gesu, de 1717, comprado por ela quando ainda era uma adolescente.

Foto: concertgebouwchamberorchestra.com

A Concertgebouw Chamber Orchestra (CCO) de Amsterdam

A Concertgebouw Chamber Orchestra (CCO) é formada por músicos da mundialmente famosa Royal Concertgebouw Orchestra de Amsterdam. A CCO tem se apresentado nas mais importantes solenidades. Suas gravações receberam da famosa BBC Music Magazine as mais altas qualificações (5 estrelas) pela técnica apurada e beleza da performance.

Veja também:

Quer aprender a ler partitura para ser um músico como Sarah Chang um dia? Leia este post.
Você consegue distinguir os diferentes sons dos instrumentos da orquestra? Jogue o Orchestra Game aqui.
Você conhece Florianópolis? Que tal fazer um passeio especial pela ilha?

O repertório preparado para os concertos no Brasil incluíram o Concerto para Dois violinos em Ré menor (BWV1043) de Bach, a Serenata Op.22 de Dvořák e As Quatro Estações de Vivaldi.

E no concerto de hoje, a Concertgebouw Chamber Orchestra me surpreendeu. Como noto cada detalhe, desde o fato de que todos os homens usaram sapatos de verniz preto até as piscadelas que os músicos de mesmo naipe davam uns aos outros, tenho que dizer que me deleitei com a sonoridade deles e o comportamento em palco. A CCO veio com 1 contrabaixo, 3 cellos, 4 violas, 1 cravo e 10 violinos (sendo um deles o concertmaster – Michael Waterman), sem a presença da figura do maestro, ou seja, o concertmaster ou a solista atuavam como “regentes”.

Sarah Chang mostrou porque é mundialmente reconhecida como uma das mais cativantes e talentosas intérpretes da música clássica. Ela é o espetáculo inteiro, dos pés a cabeça, dos sons à simpatia, da simplicidade humana ao talento não tão humano assim.

“… ela estava dentro da música e a música estava dentro dela” – Paula Musique

Foto: Acervo próprio

Primeira Parte – BACH E DVORAK

Eu estava num excelente assento. Na execução das primeiras duas peças, todos estavam de pé tocando. Ainda não tinha visto uma orquestra fazendo uma performance assim no palco do Teatro Ademir Rosa. Todos tocando alegremente, de pé, por uma hora. O concerto de Bach começou pianinho, tão suave que eu até estava preocupada me perguntando se a audiência lá do fundão conseguia ouvir. Mas toda aquela suavidade fazia parte do show de dinâmicas que eles estavam prestes a nos dar. Este é um dos pontos que eu, particularmente, observo quando vou à concertos de música erudita ou a shows de música popular. DINÂMICA. Eu sempre considerei que os músicos e cantores que fazem questão de trabalhar bem a intensidade dos sons são músicos superiores. Chang e CCO fizeram-me sentir diferentes emoções apenas pelo controle técnico de intensidade. E o que falar da violinista Jae-Won Lee (CCO) que fez duo com Chang em Bach? Uau! Técnica apuradíssima, contato visual com a solista principal, simpatia pura e capacidade de fazer a audiência perceber o diálogo que estava acontecendo entre os dois violinos.

Foto: concertgebouwchamberorchestra.com

PAUSA PARA REFLEXÃO: Como no Brasil, acha-se que Música não precisa ser curricular nas escolas e que a Arte em geral é apenas para os estudantes se divertirem, isto acaba gerando jovens e adultos que não sabem se comportar em concertos. Vou tomar partido e defender as pessoas que se “comportaram mal”, pois tenho certeza que não foi intencional, apenas não aprenderam que existem algumas regrinhas básicas para concertos: NÃO SE DEVE APLAUDIR ENTRE UM MOVIMENTO E OUTRO (acho que vou fazer um post especialmente sobre isso). Ou seja, na primeira peça, havia 3 movimentos (vivace, largo ma non tanto e allegro). Quando um movimento acaba, os músicos fazem uma brevíssima pausa para se prepararem pro próximo movimento e se a plateia começa a bater palmas, isto tira a concentração deles e corta a atmosfera que havia sido criada com o movimento anterior (explicação bem superficial). E no espetáculo de hoje, a cada movimento que terminava, metade do teatro aplaudia. Além disso, imagino que pela mudança de tempo muitos tenham ficado adoentados e havia muita gente tossindo. E às vezes, tossiam muito alto, bem na hora do pianissimo da orquestra. Novamente digo: é “porque não sabem o que fazem”. Se tivessem sido instruídos na escola, não aplaudiriam entre movimentos e aprenderiam o “etiqueta da tosse”.

Foto: sarahchang.com

Back to Chang! Tanto ela como os músicos da orquestra foram tão gentis e compreensivos que davam sorrisinhos agradáveis quando a plateia aplaudia entre movimentos. Em verdade, Sarah dava umas risadinhas fofas acompanhadas de “thank you” e dava aquela olhada pros colegas de palco. Era como se pensasse enquanto sorria: “oooh, como estes brasileiros são fofos, a maioria não sabe que isto me tira a concentração e não deveriam bater palmas, mas eu sei que fazem com boas intenções e fico feliz por saber que estão curtindo todos os movimentos de todas as peças” (risos). Houve um outro momento durante a primeira parte em que, abruptamente, a iluminação ficou mais forte e alguns músicos levaram um susto e (mais uma vez) deram uma risadinha enquanto olhavam para as partituras.

Após o concerto de Bach, Chang se retirou, sendo muito aplaudida e teve início a Serenata de Dvořák, executada somente pela orquestra. Excelente performance.

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Segunda Parte – AS QUATRO ESTAÇÕES DE VIVALDI

Após o intervalo, retornamos para a segunda parte. Sarah retornou ao palco com aplausos e começaram uma das mais célebres obras musicais da história: As Quatro Estações de Vivaldi. Chang executou a peça de memória com uma desenvoltura incrível. Ela toca de um jeito que faz parecer tudo muito fácil; mas não é nada fácil. No largo da Primavera, ela já conseguiu me emocionar. Chang tocou com tanta expressividade que era como se ela fosse responsável pelo desabrochar das flores da estação. A performance da noite estava tão intensa, tão cheia de sentimento que Chang arrebentou um fio de crina do arco de seu violino durante a Primavera. Fiquei observando como ela reagiria. Bom, reagiu como a violinista de prestígio que é: continuou tocando como se nada tivesse acontecido e aquele fio ali pendurado não a abalou. Quando acabou o movimento, ela arrancou o fio de crina e, graciosamente, deu início ao Verão, aquecendo nossos corações.

Foto: sarahchang.com

Tanto no Outono quanto no Inverno, a performance da Concertgebouw Chamber Orchestra e de Sarah Chang foi, também, motivo de regozijo para os ouvidos e para os olhos. O contato visual de Sarah Chang com os músicos e a simpatia com a plateia eram perceptíveis. A expressão corporal dos músicos da CCO era sublime e a de Chang, como solista, claro que se destacava muito mais. Os intérpretes que me fascinam são aqueles que além de tocar com os dedos, tocam com os olhares e com o corpo inteiro. E assim, Sarah Chang fez: sua expressão facial revelava o tom que ela queria transmitir com cada arcada, o movimento de seus ombros, de seus braços e até mesmo de suas costas quando se inclinava para frente e para trás, convenciam-me de que ela estava dentro da música e a música estava dentro dela.

“Ela é o espetáculo inteiro, dos pés a cabeça, dos sons à simpatia, da simplicidade humana ao talento não tão humano assim” – Paula Musique

Ao fim da performance, a plateia aplaudiu de pé por alguns minutos, com alguns brados de “bravo”. Sarah murmurou algo com o concertmaster e executaram mais uma obra barroca: Ária na Corda Sol (peça que faz parte da Suíte nº 3 para Orquestra, em Ré Maior, de Bach BWV 1068 escrita para o Príncipe Leopoldo, no início do século XVIII). Em 5 segundos de execução, o público reconheceu a canção e foi possível ouvir aquele “aaaah”, num tom de suspiro gostoso.

Os músicos foram aplaudido de pé mais uma vez e saí do teatro encantada com o mundo da melodia, harmonia, ritmo e timbres.

E tenho a sensação de que Chang e a orquestra holandesa gostaram bastante de tocar para nossa plateia de brasileiros “batedores de palmas”. Mas espero que na próxima vinda deles ao Brasil, nossa plateia esteja mais madura e ciente de que não se deve aplaudir entre movimentos em um concerto. ;)

P.S. Quero fazer aqui um parágrafo apenas para mencionar novamente a suavidade de hoje. O p, pp e ppp (piano, pianissimo e pianississimo) destes músicos atingiram minha alma!
P.S2 O contrabaixista também merece umas palavras. Era apenas um tocando e deu conta do recado como ninguém. Performance notável!

Sarah, os 10 anos, tocando “Carmen Fantasy” de Pablo de Sarasate:

Aqui, você pode conferir Sarah tocando o terceiro movimento (presto) do Verão das Quatro Estações de Vivaldi, num Music Camp (acampamento de música) para extraordinary students (estudantes de altíssimo nível):

E abaixo, temos o vídeo da bela Concertgebouw Chamber Orchestra executando a Serenata para Cordas de Elgar:


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