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06 de maio de 2018
uma leitura de 7 minutos

Maria Callas: La Divina Diva da Ópera

– por Paula Musique –

É uma grande responsabilidade escrever sobre uma das melhores cantoras de ópera e que também é uma das mais polêmicas de todos os tempos. Posso afirmar que Maria Callas conheceu a glória e a solidão; o prestígio e a rejeição – conheça a arte e a vida da diva.

Farei este texto de forma inversa: em vez de começar com a biografia e finalizar com minha opinião, vou iniciar expondo minha impressão sobre a diva La Divina, baseada no que já li, assisti em vídeos/entrevistas e ouvi em aulas de Música no passado. E, a seguir, descreverei fatos e “fofocas” sobre a vida dela para que você tire suas próprias conclusões; lembrando que, em verdade, só quem viveu e sentiu os acontecimentos pode ter uma opinião mais próxima da realidade. Nós, aqui, ficamos somente com os achismos mesmo.

Ela me parece ter sido uma mulher brilhante, com uma personalidade entendida como difícil por alguns, mas foram estes mesmos traços de personalidade que refinaram sua arte, tornando-a La Divina. Apesar de eu não concordar com a forma como ela lidava com relacionamentos amorosos, ela era muito inteligente, detalhista em sua arte, exigente como professora, uma poliglota sempre respondendo com sagacidade aos entrevistadores que tentavam a encurralar; ela não perdia a classe e respondia “na lata”, com muita franqueza. Sua interpretação era meticulosa tanto na parte musical como na parte teatral. Acredito que sua infância difícil, sua convivência turbulenta com a mãe e também o rompimento com Onassis (um dos homens mais ricos do mundo na época – que em seguida casou-se com Jaqueline Kennedy) possam tê-la tornado uma mulher amarga. A fama sempre teve seu preço e não foi diferente na vida de Callas.

[Já leu nosso post sobre o espetáculo MASTERCLASS, de Terrence McNally?
Ele fala sobre uma série de aulas que Maria Callas ministrou para estudantes da Julliard School. Leia aqui.]

Com Marilyn Monroe

VAMOS AOS FATOS (E ÀS “FOFOCAS”)

Nascida Maria Anna Sophie Cecilia Kalogeropoulos, em Nova Iorque, no ano de 1923, filha de pais gregos, a sua vida dentro e fora dos palcos fascinava o público, seja pela intensidade psicológica e plenitude vocal da interpretação de seus papéis, seja por sua polêmica vida pessoal. Em 1937, Maria Callas, sua mãe e irmã deixam os Estados Unidos e retornam à Grécia, devido às dificuldades financeiras e o divórcio dos pais. Lá, estudou canto no Conservatório de Atenas, com a soprano coloratura Elvira de Hidalgo.

Com o reconhecimento de suas habilidades, ela passou a interpretar, nos principais palcos da ópera no mundo, papéis importantes, tais como:
– Norma, de Bellini;
– Macbeth, de Verdi;
– Tosca, de Puccini;
– Carmen de Bizet,
– Turandot, de Puccini;
– Amina (La Sonnambula), de Bellini;
– Violetta (La Traviata), de Verdi;

e outros.

Como Norma de Bellini

O auge de sua carreira foi nos anos 50, quando era a rainha absoluta do legendário La Scala de Milão, seu palco-base. Mas ela brilhava para outras audiências ao redor do mundo, como: London’s Royal Opera House, The New York Metropolitan Opera, Paris Opéra, The Vienna State Opera; além de casas de ópera em Chicago, Dallas, Houston, Lisboa, Cidade do México, São Paulo e Rio de Janeiro.

Ela era casada com o empresário G. B. Meneghini, homem muito mais velho do que ela e que foi fundamental no sucesso da carreira dela. Já estava casada havia 10 anos, quando em 1959 iniciou um caso de amor com o magnata Aristotle Onassis (também grego e também casado), sua carreira desacelerou e sua voz tornou-se mais frágil. Onassis não apoiava sua carreira na Música. Suas apresentações e gravações começaram a ser menos frequentes, quando tinha apenas 42 anos. Em 1968, após nove anos em um relacionamento turbulento com humilhações e traições, sua relação com Onassis se desfez, quando ele a abandonou para casar-se com Jacqueline Keneddy, a viúva do presidente John Keneddy. Maria ficou muito mal e decidiu não casar-se mais. Teve outros relacionamentos, mas não deram certo.

Olhando assim, parece tão angelical… ;)

Seu timbre era considerado não muito “bonito” por alguns críticos que a comparavam com a beleza “convencional” no canto operístico; entretanto, o poder e profundidade de sua interpretação somados à musicalidade de seus fraseados, minuciosamente executados, renderam-lhe o título de La Divina. Ela trazia os personagens à vida e foi a cantora lírica mais aplaudida e noticiada do século XX.

Apesar de fazer algumas poucas aparições musicais no final de sua vida, em 1974 fez sua última turnê, com o tenor Giuseppe di Stefano.

Callas morreu sozinha em seu apartamento em Paris, em setembro de 1977, aos 53 anos.

10 CURIOSIDADES:

1. UMA INFÂNCIA INFELIZ
Callas sempre falava de sua infância infeliz. Depois que sua mãe viu o talento de Maria para a Música, a menina de cinco anos foi empurrada para aulas de canto. Quando o casamento de seus pais faliu, Maria foi para a Grécia com sua mãe e irmã. Lá ela recebeu sua educação musical.

Com a família

2. ALUNA EXEMPLAR
A professora de Callas descreveu-a como “uma estudante modelo, fanática, intransigente, dedicada aos seus estudos de corpo e alma. Seu progresso foi fenomenal. Ela estudava cinco ou seis horas por dia. E dentro de seis meses, ela estava cantando as árias mais difíceis do repertório da ópera internacional com a maior musicalidade”.

3. A HORA DA VIRADA
O grande ponto de virada em sua carreira ocorreu em Veneza, em 1949, quando Callas foi chamada para cobrir um papel de soprano em I Puritani. Ela teve apenas seis dias para se preparar – e triunfou. Dois anos depois, ela estreou no La Scala de Milão e o teatro se tornou seu lar artístico, seu palco-base nos anos 50.

4. ERA MUITO MAIS INTELIGENTE
O diretor do The New York Metropolitan naquela época diria mais tarde que Callas foi a artista mais difícil com quem já trabalhou, “porque ela era muito, muito mais inteligente“. Com outros artistas você conseguia fazer o que quisesse com mais facilidade. Mas com a Callas você precisava argumentar e tentar convencer. Ela sabia exatamente o que ela queria e porque ela queria“.

Como Turandot de Puccini

5. CONQUISTANDO SUA REPUTAÇÃO
A estréia de Callas no Metropolitan Opera, em NY, abrindo a temporada com Norma de Bellini, em 29 de outubro de 1956, foi precedida por uma polêmica matéria de capa na revista Time, que falava sobre seu temperamento complicado, sua suposta rivalidade com a soprano Renata Tebaldi e seu difícil relacionamento com sua mãe.

6. CALLAS EM SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO
A temporada lírica de 1951 trouxe Maria Callas aos palcos de São Paulo e Rio de Janeiro, para inaugurar a temporada paulista, no dia 28 de agosto, com a ópera “Aida”. No entanto, devido a uma súbita indisposição da cantora, de última hora, o empresário Alfredo Gaglioti viu-se obrigado a substituí-la pela soprano Marina Greco – que se encontrava na platéia. Callas começou suas performances apenas no dia 7 de setembro, com a ópera “Norma” e arrebatou o público paulista dois dias depois com “La Traviata”, sob regência de Tulio Serafim. No Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Callas interpretou “Norma” no dia 12 de setembro. E em um concerto beneficente dois dias depois, apresentou-se cantando árias de Verdi.

7. A FAMOSA RIVALIDADE COM RENATA TEBALDI COMEÇOU EM TERRAS TUPINIQUINS – AQUI NO BRASIL
Em 1951, Renata Tebaldi e Maria Callas foram agendadas para uma apresentação no Rio de Janeiro. Embora as cantoras tivessem concordado que nenhuma delas cantaria um “bis”, Tebaldi cantou dois “bis” e Callas teria ficado furiosa, pois após cantar sua última peça do repertório planejado, ela se despediu da plateia sem cantar “bis” algum. O fato de Tebaldi não ter cumprido com sua palavra iniciou uma disputa muito comentada entre as duas sopranos, embora nunca tenha sido claro quão intensa era a rivalidade.

8. CHAMPANHE X COCA-COLA
Outro conhecido incidente entre Callas e Tebaldi se refere a quando Callas disse que comparar sua voz com a voz de Tebaldi era a mesma coisa que comparar champanhe à Coca-Cola. Como réplica, Tebaldi disse que o champanhe costuma azedar. No entanto, Tebaldi sempre minimizou a suposta rivalidade e o marido de Callas alegou que era invenção do pessoal de marketing das gravadoras – que pretendiam manter as duas cantoras nas manchetes.

Antes de perder peso

9. LUTA CONTRA A BALANÇA
Callas transformou-se de uma mulher pesada em uma esbelta e glamourosa cantora, após uma perda de peso significativa, já na metade de sua carreira. Dizem que isto pode ter contribuído para seu declínio vocal e o fim prematuro de sua carreira.

10. CASO AMOROSO
O caso entre Callas e Onassis foi, inicialmente, mantido em segredo, já que ambos eram casados. Mas, assim que ficaram livres e poderiam casar, Callas recebeu um golpe doloroso e inesperado quando Onassis decidiu casar-se com Jacqueline Kennedy, viúva de John F. Kennedy, em vez dela.

Com Onassis

Maria Callas, que morreu há 40 anos, era – e ainda é – uma das mais famosas cantoras de ópera da história. Ela também foi uma das estrelas mais glamourosas do seu tempo e levou uma vida que provou ser tão dramática quanto qualquer um dos personagens que ela interpretou no palco.

A seguir, você pode conferir uma seleção de vídeos de destaque com La Divina:

[Já leu nosso post sobre o espetáculo MASTERCLASS, de Terrence McNally?
Ele fala sobre uma série de aulas que Maria Callas ministrou para estudantes da Julliard School. Leia aqui.]

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Paula Musique
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  1. Maria 14/08/2018

    Amo ópera. Sou apaixonada por canto lírico. Ainda mais quando cantam assim com o coração. E Maria Callas era muito expressiva, além de ter um belo nome. rsrsrs

    • Paula Musique respondeu Maria 19/08/2018

      Obrigada pelo comentário! Maria Callas é um ícone do mundo da ópera. Que bom que você também gosta de canto lírico.

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