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– por Paula Musique –

Para estrear a categoria “MINHA INDICAÇÃO MUSICAL” nada melhor do que recomendar uma obra marcante e de destaque na História da Música: Pierrot Lunaire.

Dreimal Sieben Gedichte aus Albert Girauds ‘Pierrot lunaire’ é o nome completo deste marcante ciclo de canções atonais composto pelo alemão Arnold Schoenberg (1874–1951). A tradução deste título é “três vezes sete poemas do ‘Pierrot Lunaire’ de Albert Giraud” – título este que combina muito com a linguagem da Música do Século XX.

Ainda bem que esta obra é mais conhecida como Pierrot Lunaire, Op. 21, que é bem mais fácil de memorizar e pronunciar. Na adolescência, quando aprendi sobre esta obra, pensava que Pierrot Lunaire (pierrô lunér), do francês, queria dizer pardal lunático, em seu sentido literal. Ou seja, eu achava que o título se referia a um pássaro meio maluco e concluí que o nome combinava com a obra. Após ouvi-la, você irá concordar comigo também.

Todavia, a Paulinha adolescente aqui estava errada e não tem nada a ver com passarinho maluco. O pierrot é uma personagem de mímica e da Commedia dell’Arte, uma variação francesa do Pedrolino Italiano. O seu caráter é aquele de um palhaço triste, apaixonado pela Colombina, que inevitavelmente lhe parte o coração e o deixa pelo Arlequim. É normalmente representado usando roupas largas e brancas, por vezes metade preta, rosto branco e uma lágrima desenhada abaixo dos olhos. A característica principal do seu comportamento é a sua ingenuidade, sempre confiando nas pessoas. Pierrot também é apresentado como sendo lunático, distante e inconsciente da realidade.

Bom, mas se unirmos os dois significados, teremos algo assim:

[coisa mais fofa!]

Ok. Vamos falar sério novamente, pois admiro muito o Schoenberg e ele merece nosso respeito.

A obra foi baseada em um conjunto selecionado de 21 poemas do poeta simbolista belga Albert Giraud. É em 3 partes, cada qual contendo 7 canções (por isso o 3×7 do nome completo). A peça é para voz feminina + flauta ou piccolo, clarinete ou clarone, violino ou viola, violoncelo e piano, e dura de 35 a 40 minutos.

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A primeira apresentação da obra ocorreu em Berlim, em outubro de 1912, tendo Albertine Zehme como vocalista – mas o que Schoenberg propõe é uma nova prática vocal — o cantofalado ou Sprechgesang. As palavras não poderiam ser nem cantadas nem recitadas. A soprano deveria oralizá-las seguindo o ritmo e a melodia indicados na partitura, subindo ou descendo a voz, em distância proporcional à posição das notas, com um fundo instrumental de dissonâncias corajosas.

“Schoenberg transmitiu uma mensagem importante em 1912, mas que até os dias de hoje é difícil de compreender, pois mesmo estando no século XXI, nosso ouvido ainda é muito apegado ao sistema tonal” – Paula Musique

Sim, esta peça incomoda; sim, não é o tipo de música que se toca em casamentos; sim, ela não traz conforto e muito menos alegria. Entretanto, seu valor musical é indiscutível. Em maio de 1913, os balés “A Sagração da Primavera” de Stravinsky e “Jeux” de Debussy foram lançados em Paris, formando com “Pierrot Lunaire” de Schoenberg, o trio de aceitação ao sistema atonal, quase como uma superação à música tonal – todas raramente executadas no Brasil.

Arnold desempenhou um papel muito relevante na música do século XX revelando um novo pensamento musical.

“Penso que a ‘música-sem-tonalidade’ ainda é bastante incompreendida pela sociedade em geral e perdura recôndita, discutida e analisada por acadêmicos, mas quase que clandestina para a população” – Paula Musique

Eu adoro a obra Pierrot Lunaire? Não. Eu escuto de vez em quando? Não. Mas este é o tipo de peça que deve ser respeitada e estudada. Confira a seguir uma competentíssima interpretação com músicos da Orquestra Sinfônica de Chicago e a soprano Kiera Duffy.

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Para ouvir uma rara interpretação no Brasil, em português, de 1980, clique aqui.


Vamos conversar.
Que sensações esta obra causa em você? Quais suas impressões sobre a peça? Quais adjetivos você usaria para descrever este ciclo de canções? Qual a significância do atonalismo, em sua opinião?

Você tem interesse na área de Composição ou Análise Musical? Indico os dois livros a seguir.
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Paula Musique
Viver vai muito além de realizar meus próprios sonhos, pois posso dar as mãos ao próximo e ajudá-lo a realizar seus sonhos também & a vida fica muito melhor com Música.
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  1. Mayke 24/03/2019

    Admiro muito o Shoenberg. Meu interesse nele começou quando ouvi o LP Clara Crocodilo do Arrigo Barnabé. Não sabia até ali o que era serialismo, nem dodecafonismo. Vou deixar uma música do Arrigo que bebeu na fonte de Pierrot Lunaire e é tão estanha quanto:

    https://m.youtube.com/watch?v=1lNfFFXNjAw

    • Paula Musique respondeu Mayke 21/04/2019

      Serialismo e Dodecafonismo são temas pouco conhecidos, por isso fiz questão de indicar Pierrot Lunaire aqui no blogue para que mais pessoas conheçam os diferentes estilos que vêm sendo produzidos. Volte sempre! ;)

  2. Vitória Bruscato 07/03/2020

    Primeiramente, parabéns pelo conteúdo rico de informações. Você mostra que realmente tem propriedade sobre o assunto que aborda por aqui.
    Sobre a música, apesar de achar muito bonita a língua em que é interpretada, não gostei muito da moça cantando – mas não sei porque. Acho que se a música fosse somente instrumental eu gostaria um pouco mais.

  3. Gislaine Motti 07/03/2020

    Visitar o seu site é sempre uma nova descoberta! Não conhecia Shoenberg nem essa peça nem o conceito de atonalismo, mas devo dizer que estou muito impressionada por todo o conceito por trás dessa performance. É bem desagradável aos ouvidos, mas me fascinou por algum motivo incompreensível…

  4. Luana Souza 08/03/2020

    Tem tanta história de diversas músicas e artistas que a gente não conhece. Nunca tinha ouvido falar de Pierrot Lunaire, mas achei muito interessante. E essa perfomance no vídeo? Incrível! <3 é uma música diferente do que geralmente estamos acostumados hehe.

  5. Luly Lage 08/03/2020

    Triste, mas forte, com certeza. Me passou a sensação de estar assistindo o thriller, na exata cena em que o personagem transformado em vilão pelos transtornos e a sociedade captura a vítima e está prestes a fazer o que quer que ele vai fazer com ela, sabe? Talvez seja injusto com o Pierrot em si pensar isso, mas a verdade é que ele sempre me passa a sensação de que, em algum momento, vai transformar sua trsiteza em vingança…

  6. Erika Monteiro 08/03/2020

    Oi, tudo bem? Ser amante da música nos traz muitos aprendizados. Acredito que cada tipo de música traz um pouco de cultura, nos ensina sobre sua época e também seus compositores. Faz um tempinho que não ouço nada do gênero mas assisti o vídeo e confesso que gostei. É uma apresentação diferente mas muito rica principalmente se ouvirmos tendo em mente toda a história explicada por você. Engraçado que também pensei que a música se tratasse de um “pássaro lunático”. Mas compreendi a intenção do compositor. Um abraço, Érika =^.^=

  7. Eu não conheço nada de Pierrot Lunaire ou de musica classica muito interessante a abordagem do seu texto.

  8. Malu Silva 09/03/2020

    Muito interessante toda essa história! Estou amando me informar mais sobre o meio musical aqui no blog <3

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